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Os principais desafios a serem enfrentados pelas organizações brasileiras e os conceitos de sustentabilidade a serem aplicados

Com o acelerado desenvolvimento dos meios de produção pós-revolução industrial aliado ao crescente aumento da população mundial, a demanda por recursos naturais tem crescido de forma desenfreada. Acreditava-se que tais recursos eram inesgotáveis, o que acabou, consequentemente, gerando enormes impactos negativos ao meio ambiente, como a dizimação das florestas europeias e o aquecimento global.
Os impactos ambientais provenientes das atividades produtivas – como contaminações de rios, poluição do ar, vazamento de produtos químicos nocivos e a perda de milhares de vidas – foram o estopim para que, partindo da população e da comunidade científica, governantes de todo o mundo passassem a discutir e buscar formas de remediação e prevenção para que tamanhas catástrofes não se repitam, além de controlar os danos já existentes.

Atualmente, as pressões sociais e restrições legais fazem com que as empresas sejam forçadas a buscar formas de reduzir seu impacto ambiental e a melhorar sua imagem frente a sua responsabilidade social, no intuito de minimizar os impactados causados por suas atividades, auxiliando na preservação do Meio Ambiente. Neste sentido, muito tem sido feito para a sustentabilidade do setor produtivo (ARAÚJO et. al, 2006).

O termo “Sustentabilidade” foi oficialmente apresentado na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no ano de 1987, e foi definido como “[…] a capacidade de satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades” (CMMAD, 1988, p. 9).

Os ideais da sustentabilidade são baseados em três diferentes pontos de pensamento, mais conhecidos como os três pilares da sustentabilidade, que dizem respeito á proteção do meio ambiente; sendo eles:

  •  econômico – A sustentabilidade nas organizações brasileiras busca meios de crescimento econômico e produtivo de forma menos agressiva ao meio ambiente, contribuindo para o surgimento de novas oportunidades de negócios. É o caso da reciclagem, que contribui para a diminuição da produção de resíduos e pode dar retorno financeiro caso o processo seja menos custoso do que a extração do recurso natural – como, por exemplo, do alumínio, que consome quantidades astronômicas de energia elétrica para a retirada do metal do minério. Outro exemplo da viabilidade econômica de se adotar práticas sustentáveis nas empresas é a troca da iluminação incandescente por lâmpadas de baixo consumo – as chamadas lâmpadas LED -, que podem gerar uma economia de 80% no consumo de energia elétrica, gerando ganhos econômicos para a empresa e ganhos ecológicos indiretos com o menor consumo dos recursos naturais (FOGAÇA, 2018).
  • social – O colaborador, peça fundamental no funcionamento das organizações, também é um dos elementos tratados pelo conceito de sustentabilidade. As organizações precisam ser socialmente justas, oferecendo condições dignas de trabalho e pensando no trabalhador como um ser humano digno de respeito. No Brasil, muitas empresas têm tomado a iniciativa de cuidar dos bens sociais.

A Alcoa, maior mineradora de bauxita (alumínio) do mundo, utiliza técnicas de exploração de minério que causam menos impactos ambientais. Na área de mineração situada no coração da Amazônia, no município de Juruti, a Alcoa tomou medidas socioambientais para garantir o pleno desenvolvimento do município. Para isso, a empresa criou um conselho especial para discutir com as comunidades locais e o poder público o desenvolvimento do município, além de um fundo de financiamento de ações sociais, se comprometendo com os trabalhadores e moradores do município. Estas foram às medidas encontradas pela Alcoa, para garantir à população benefícios sociais bem estruturados, além de diminuir a pressão ambiental causada por suas atividades.

Outra grande empresa brasileira preocupada com o bem social é a Amanco, que passou a investir em matéria prima menos impactante ao meio ambiente. Uma de suas principais ações foi à troca do solvente tolueno – cujo vapor pode causar dependência química – por outro solvente menos agressivo a saúde. Outra grande mudança feita pela empresa foi à alteração da fórmula de alguns produtos, como os estabilizantes, que não mais utilizam chumbo em sua formulação, extinguindo assim o risco dos colaboradores se contaminarem com este elemento tóxico (EXAME 2014).

 

  • ambiental – Medidas ambientais para atender o terceiro e principal pilar da sustentabilidade são o principal foco das organizações brasileiras. Dentre elas, destacam-se algumas atividades como medidas de controle de emissões aéreas e de efluentes, educação ambiental e padrões de potabilidade da água.

É previsto na Constituição Federal de 05 de outubro de 1988, no artigo 225 o seguinte:

“Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

Portanto é dever de todos, manter a melhor condição ambiental possível, independente de suas atividades. O Estado fornece as empresas todo o arcabouço técnico necessário para a execução das atividades de forma segura, a fim de proteger o Meio Ambiente e minimizar o risco de ocorrência de acidentes ambientais como o ocorrido na cidade de Mariana, palco do maior desastre natural que o país já presenciou.
Para fiscalizar e regulamentar as questões ambientais no estado de São Paulo, a CETESB dispõe de uma série de normas, regulamentos e procedimentos específicos para cada atividade. As empresas que não cumprirem tais exigências ficam sem o alvará de funcionamento, uma vez que serão impedidas de emitir as devidas licenças ambientais para liberar as atividades.
Outros estados do Brasil também possuem órgãos especializados em cuidar das questões ambientais. Muitos deles inclusive utilizam o que a CETESB já aplica como exemplo, no entanto, não são tão eficazes como no próprio estado de São Paulo.

Por Thiago de Araujo Dourado
Biólogo Mestre em Geociências e Meio Ambiente
Consultor ambiental da Qualtec

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