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Nunca foi tão discutido o ESG como no ano de 2020.

E por que agora?

A pandemia escancarou problemas sociais e ambientais já existentes e mostrou para toda a sociedade como essas questões funcionam de maneira multidisciplinar e como afetam o setor financeiro-econômico.

ESG vem da sigla em inglês “Environmental, Social and Governance” e traduzindo
literalmente, significa “Ambiental, Social e Governança”.

Um conceito que já existe há algum tempo, por exemplo a Lei das Sociedades por Ações de 1967 já estabelecia os fundamentos do ESG, no entanto foram apenas nos últimos anos que esse tema invadiu o centro das principais rodas de negócio e discussões sobre estratégias futuras.

No mundo corporativo, um investimento ESG incorpora esses três pontos (questões ambientais, sociais e de governança) como critérios na análise, indo além das considerações econômicas e financeiras, mas permitindo uma avaliação de forma holística e multidisciplinar.

Até o início de 2020, a questão das mudanças climáticas era o único desafio
eminentemente global, portanto um dos únicos assuntos que afetava a todos,
independentemente de sua localização, poder e influência.

No entanto, alterações climáticas ainda é um assunto que apesar de comprovado cientificamente, é “polemico” em algumas esferas e “etéreo” para muitas pessoas, pois ainda não se trata de consequências que afetam de maneira continua e perceptiva.

Apesar de especialistas enfatizarem esta questão como um fator decisivo nas perspectivas das empresas a longo prazo devido ao impacto significativo e duradouro que terão no crescimento econômico e na prosperidade, este é um risco que, até agora, os mercados têm sido lentos em refleti-los.

Já, tratando-se de pandemia, este segundo evento/ desafio eminentemente global, afetou diretamente a todos e obrigou a sociedade a entender melhor o conceito e a importância do ESG.

Grande parte das empresas foram pegas de surpresas e, por mais que tivessem gestão de riscos, pouquíssimas estavam preparadas para um evento de baixa probabilidade de ocorrência, mas de impactos tão amplos e em escala global.

A pandemia escancarou o fato de que riscos sociais e ambientais estão interligados e afetam diretamente nas questões econômicas.

Dessa forma, a incorporação de aspectos relacionados a ESG ao modelo de negócio representa uma verdadeira mudança de paradigma nas relações entre as organizações e seus investidores e no planejamento estratégico, já que práticas tradicionalmente associadas à sustentabilidade passaram a ser consideradas como parte da estratégia financeira, agregando competitividade.

E COMO A ALTA LIDERANÇA E A GOVERNANÇA ESTÃO RELACIONADAS COM ESSAS QUESTÕES?

Anualmente, Larry Fink publica uma carta que é principalmente voltada aos CEOs das companhias investidas por sua gestora, mas também aos empresários que tenham interesse de ouvir conselhos valiosos para o bom desenvolvimento de seus negócios. Larry Fink é o CEO

da Black Rock, a maior gestora de patrimônios do mundo (no final do ano passado a empresa gerenciava aproximadamente 6,3 trilhões de dólares no total – o equivalente a aproximadamente 5 vezes o PIB brasileiro – sendo destes 1,7 trilhões em estratégias ativas de investimento).

Portanto, o que o líder desta companhia tem a dizer mobiliza o mundo corporativo e gera um impacto gigantesco em todos os outros participantes do mercado de capitais no mundo.

Nesta carta, que normalmente é lançada em janeiro, ele reporta suas perspectivas ou premissas que julga relevantes para o ano que se inicia.

Desde 2008, o assunto governança já é discutido, mas são as últimas 3 cartas que são enfáticas e muito importantes para acelerar essa discussão.

A carta de 2018 ele intitula “Senso de propósito”, onde ele traz que todas as empresas devem ter um propósito alinhado aos anseios da sociedade.

Em 2019, ele desenvolve um pouco mais o tema e destaca “Propósito e lucro”, onde ele explana que “O propósito não é só a busca pelo lucro, mas é a força motriz para conquistá-lo.

O lucro não é de forma alguma inconsistente com propósito; de fato, o lucro e o propósito estão intimamente associados.”.

Esclarecendo que ao não considerar as questões relacionadas a sustentabilidade, a empresa não vai conseguir gerar valor a médio e longo prazo, informando inclusive que, empresas que não passassem a adotar aquelas práticas, sairiam do portfolio da Black Rock.

E na sua carta mais recente em 2020, pré pandemia, a ideia de destaque é
sustentabilidade, além de destacar mais uma vez a importância de ter a visão e o planejamento a médio e longo prazo, apontando a mudança estrutural financeira que está acontecendo e trazendo a questão da mudança do clima e da pandemia.

Ao escrever a carta diz que as palavras não foram escritas pelo seu lado ambientalista, mas sim pelo seu lado capitalista, que está consciente de que o risco climático existe e se não se preparar para isso, o investidor terá que lidar com um sério problema no portfólio de investimento e na estratégia.

Isso porque os investidores já consideram o risco climático como um risco de investimento, portanto surge a necessidade de entender quais são os riscos físicos associados as mudanças climáticas e quais as formas pelas quais as regulamentações climáticas terão impacto nos preços, custos e demanda em toda a economia.

E QUANTO A LIDERANÇA?

Seguindo nesta linha da importância que a governança corporativa tem nos negócios de cada companhia e na sociedade, é inevitável não associarmos à liderança.

A liderança é a responsável por seguir o planejamento estratégico das organizações e por implementar as práticas que uma empresa adota para fortalecer a organização e alinhar os interesses do negócio.

Pensando nisto, é importante destacar que muitas pesquisas já apontam que não são apenas grandes investidores e influenciadores do mundo business que apostam na governança corporativa.

O Barômetro de Confiança de Edelman mostra a respeito da expectativa da sociedade.

No Brasil em 2020 foi constatado que 37% dos brasileiros confiam no governo brasileiro, 44% na mídia, 59% nas ONG’s e 64% nas empresas.

E falando diretamente de liderança, a figura do empregador é a mais confiável para os brasileiros, 80% dos entrevistados confiam mais no próprio empregador do que qualquer outra instituição e 80% das pessoas no Brasil esperam que os líderes empresariais tomem a frente em questões socio ambientais sem esperar o governo.

Importante destacar que os dados explanam o cenário brasileiro, mas que são muito próximos dos dados em relação ao mundo.

Tem sido observada uma descrença da sociedade em relação a figuras de autoridade tradicional.

Este fato juntamente com a disponibilidade cada vez maior de informações mudou o perfil do consumidor e do colaborador, fazendo-os confiar em companhias que trabalham além da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço, optando por organizações tenham perfil íntegro, ético e sejam comprometidas com questões socioambientais.

O QUE PODEMOS CONCLUIR COM AS INFORMAÇÕES EXPOSTAS ACIMA?

COM TODAS ESSAS PESQUISAS, COM A POSIÇÃO DE GRANDES INFLUENCIADORES E COM A SITUAÇÃO EM QUE NOS ENCONTRAMOS ATUALMENTE?

A governança corporativa tem sido cada vez mais enfatizada como a chave para a mudança de paradigma em que está ocorrendo atualmente.

A sociedade precisa de líderes em que possam confiar, líderes que “vestem” a camisa a favor do lucro da instituição que trabalham, mas que valorizem a operação de suas atividades e estratégias baseadas em um propósito.

São esses líderes em que seus colaboradores, parceiros, clientes e outras partes interessadas confiam, são os líderes que vão determinar o tipo de governança e cultura dentro de cada organização.

Aspectos que extrapolam os limites da organização, mas que atingem famílias ao formar profissionais responsáveis e conscientes.

Para prosperar, cada companhia terá que entregar além de uma performance financeira, um propósito não só para trazer sua contribuição para a sociedade, mas para garantir vida longa e bem sucedida aos seus negócios.